Quando Remus Chegou I

Quem me conhece sabe que existem algumas coisas muito específicas que fazem minha vida mais feliz. São minhas grandes paixões: meus cachorros, família e amigos, chá preto com leite e boas estórias (seja lê-las ou escrevê-las).

Atualmente, nós temos 3 cachorros: a Serena (labradora) de 7 anos, a Anne (viralatinha resgatada) de +- 4 anos e o Remus (labrador resgatado) de uns 3 anos. É sobre eles que decidi escrever hoje.

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Anne, Remus e Serena

No dia 10 de outubro de 2017 nós resgatamos o Remus da rua. E no dia 31 de outubro tivemos a péssima notícia de que ele ainda está doente.

Nós já sabíamos que ele estava com a doença do carrapato, infecção de ouvido, sarna, infecção urinária… Enfim, como a maioria dos animais abandonados na rua ou de rua mesmo, ele estava todo ferrado. Mas tínhamos dado os antibióticos para a doença do carrapato durante os 14 dias certinho, então qual foi nosso pavor quando no retorno o veterinário nos disse que não tinha adiantado, que as plaquetas continuavam caindo assustadoramente e que precisaríamos realizar um tratamento mais forte, com injeções de antibiótico a cada três dias, por mais duas semanas e torcer para dar certo.

Foi, de fato, um dia das bruxas bem assustador. (Continua sendo assustador, pois temos muito medo de perdê-lo.)

Mas existem muitas histórias antes da chegada do Remus, e eu gostaria de compartilhar elas com vocês, à medida que também vou contando sobre o tratamento e recuperação do Remus.

QUANDO REMUS CHEGOU é o novo “bloco” deste blog, é onde vou contar sobre animais resgatados e adotados, como esses bichinhos mudaram minha vida, e como eles foram importantes ao longo da depressão que tive no semestre passado. Eu realmente espero que vocês gostem!

Tudo começou em novembro de 2010. Há sete anos.

Eu e Jose morávamos em Sevilha, Espanha, e decidimos ter nosso primeiro cachorro juntos.

Eu fui criada adorando animais, principalmente a Bibi (uma Cocker preta e branca) que era mais dos meus pais do que minha e que, infelizmente, faleceu de câncer quando eu tinha 13 anos, depois de 8 anos de companheirismo e uma longa luta com a doença.

Desde a morte dela, nós não tivemos mais bichos. Acho que foi muito doloroso para nós três vê-la adoecer, lutar, mas finalmente descansar. Então, depois de quase 2 anos de casados, 7 anos depois da morte da Bibi, eu e Jose decidimos que queríamos um labrador!

Labradores aprendem rápido, são inteligentes e obedientes e adoram crianças (eles também adoram nadar!). Claro, os labradores também costumam ser uns pestinhas dedicados quando jovens e podem continuar sendo se não se exercitarem diariamente e gastarem a energia que têm. Mas nós decidimos que era isso que queríamos e que seria uma experiência maravilhosa!

Jose nunca tinha tido um bichinho. Na época, sua mãe morria de medo de cachorro, então era sua primeira vez.

Procuramos filhotes de labrador chocolate em vários sites de pessoas que faziam criação. Fomos conhecer um criadouro e nos assustamos muito, pois foi uma coisa muito triste de se ver. No fim das contas achamos o que queríamos em outra cidade, Jerez de la Frontera, e fomos lá buscar a nossa nova companheirinha: a Serena.

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Serena baby :3 2010 

Atualmente, olho para essas memórias e penso que era realmente um ato bastante egoísta da nossa parte: escolher um filhote lindo e fofo e etc. Eu nunca tinha adotado animais e sempre tinha visto bichinhos nos petshops, então, nessa vibe capitalista, compramos a Serena por um valor bem salgado e fomos para casa.

Ela era uma bolinha de pêlos gordinha e pequena, foi amor à primeira vista.

As patinhas dela suavam quando andava de carro, não sei se por medo ou ansiedade ou enjoo, ela estava cheia de vermes e pulgas. E ela fazia cocô com vermes! UM HORROR! Eu sou a pessoa que morre de nojo de verme, então era um chilique atrás do outro.

Então, no terceiro dia, precisamos levar ela no veterinário, pois ela não parava de vomitar. Eis que a doutora disse que Serena estava doente, que era muito fraquinha, que provavelmente morreria e que nós deveríamos reclamar onde a compramos e pedir para trocar por outro filhote.

TROCAR POR OUTRO FILHOTE!!! Que diabos??!!

Aquela imensa falta de tato mexeu muito comigo. A veterinária passou remédio e um patê vitamínico que precisava ser dado a cada 20 minutos uma colherinha. Eu queria socar a doutora pelo fato dela achar que era simples assim: “olha, ou vocês nos devolvem os 350€ ou nos dá outro filhote, este daqui não serve!”

Foi quando eu comecei a entender que aquele bichinho miudinho da cor de chocolate não era apenas uma aquisição para mim, ela era muito mais, era meu bebezinho, eu não queria trocá-la por nada no mundo, eu já amava ela e íamos fazer de tudo para que ela ficasse saudável!

Eu e José nos revezávamos ao longo do dia para dar o patezinho, mimar a Serena, dar muito colinho e amor e os remédios todos. E no fim do tratamento ela estava perfeitamente saudável. Uma grande vitória para esses pais de primeira viagem.

Começamos a passear com ela depois das vacinas, ensinar pequenos truques e criar um vínculo ainda mais lindo e duradouro.

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A Serena no começo tinha medo de muitas coisas: aspirador, liquidificador, barulhos estranhos na rua. Ela chegava a fazer xixi de susto. Até hoje ela detesta aspirador, sai correndo para outro cômodo fugindo do barulho.

A Serena deu muito trabalho. Ela latia muito, era um pouco mais agressiva do que o normal para um filhote de labrador, e destruía algumas coisas, como por exemplo o nosso sofá. Um belo dia, nós chegamos em casa e encontramos o interior do sofá no chão. Hehe. Tipo Marlei e Eu. Foi um deus nos acuda.

Ela era muito danada, odiava ficar sozinha e tinha muita energia. Então nós decidimos adestrá-la.

Jose fez um curso de adestramento junto com ela (ela chegou a tentar morder o professor. IMAGINEM! UMA LABRADORINHA RAIVOSA!). Mas no fim do curso a gente já sabia as técnicas de adestramento e começou um longo período de dedicação e persistência.

Adestrar um animal é uma tarefa difícil, mas Serena sendo uma labradora muito esperta, até aprendeu rapidinho. Com tempo ela sentava, dava pata, ia para a caminha, só comia quando mandávamos, não descia da calçada, não latia tanto, só fazia as necessidades fora de casa e andava sozinha sem coleira.

Foi com ela que nós tivemos também os primeiros sustos: o primeiro quase atropelamento, a primeira percepção de que ela era manquinha, o medo dela ter displasia de quadril (muito comum em labradores e pastores). As idas sem fim ao veterinário, os mil exames, os exageros de pais de primeira viagem, as milhões de vitaminas que ela passou a tomar…

Tudo era susto, tudo era novo, tudo nos fazia morrer de medo.

No fim das contas, a Serena não tinha displasia de quadril. Era o simples fato de que uma pata tinha crescido mais rápido que a outra.

Mas também tiveram as primeiras vezes lindas: primeiro banho de piscina, primeira ida à praia, primeira ida ao campo, primeiro mergulho no lago, primeiro churros com chocolate seguido de caganeira, primeira bolinha, primeiro amigo cão, primeiro amigo gato, primeiros amigos feitos por causa da Serena nos parques de Olivar de Quinto.

Enfim, a gente aprendeu muito com ela. Sobre cachorros, sobre comportamento animal, sobre ser responsável por um bichinho, sobre companheirismo, sobre a importância de passear com ela e dar atenção e carinho. Mas, principalmente, aprendemos sobre amor, dedicação e a importância que esses animais têm na nossa vida, como marcam nossa história, como deixam suas patinhas na nossa alma e nos ensinam diariamente sobre o amor.

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Não é a toa que ela ganha o coração da galera! 8)

Ela esteve lá na nossa primeira briga, esteve lá nas desilusões dos primeiros anos de faculdade, na saudade dos meus pais, esteve lá quando eu voltei do meu intercâmbio de 2 meses em Glasgow e chorou e pulou e fez festinha para me receber. Ela ia para o trabalho com o papai todos os dias e fazia a festa na empresa do avô dela. Ela ganhou o coração da avó e fez com que esta perdesse medo de cachorros a ponto de colocar a Serena para dormir na cama com ela.

Ela esteve lá quando decidimos voltar para o Brasil e veio conosco, viajou de avião, viajou de carro. Conheceu São Paulo, Itanhaém, Foz do Iguaçu. Morou em casa, em apartamento e em casa de novo.

Serena foi filha única até os 3 anos, quando a Anne chegou em nossas vidas.

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Serena e Anne, 2013

Quer continuar acompanhando essa história? Então fique ligado nas próximas atualizações! Se gostou, pode deixar um recadinho para mim e para essa linda matilha, nós vamos adorar!

.

Por hoje ficamos por aqui. Se você reza, ora, manda energias etc, coloque o Remus nas suas orações, para que o tratamento atual dê certo e bactéria rara e chatinha que o infectou morra e o deixe viver forte e em paz.

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O Remus agradece! ❤

Um grande beijo e as melhores inspirações.

Tai.

 

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7 pensamentos sobre “Quando Remus Chegou I

  1. Olá Tainara, com certeza o Remus ficará bom e alegrará muito vocês! Senti tanto amor transbordando nessa sua narrativa…que bonito…desejo que muitos Remus ainda façam parte da sua vida e de pessoas tão sensíveis como você para acolhe-los! Bjs da Shirley.

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    • Que texto cheio de amor e esperança! Achei muito bacana vc contar a história dos seus pets em sua vida e de José. Esses bichinhos maravilhosos marcam nossas vidas e nos ensinam a amar o tempo todo. O amor de vocês nutre está matilha e vai abençoar Remus para que se recupere e fique forte e saudável. Estamos vibrando por ele, pela sua cara! Beijo amo vocês!!! Os 5 ; ) 😍😍😍

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  2. Oi meu amor!
    Vou torcer mto pro seu bebê ficar bem. Ele merece a chance de continuar ao lado das pessoas maravilhosas que vocês são.
    Quero continuar conhecendo as histórias de todos eles. Amo vcs!!!

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