Entrevista com a autora Simone Lore

Bem galera, hoje teremos um post diferente! 😀 Uma grande amiga e escritora, que sigo há alguns anos, está publicando seu primeiro livro Casa Palmer – Licópolis no próximo dia 8 de dezembro e me deu uma entrevista muito legal sobre como foi o desenvolvimento e escrita da obra.

A gente se conheceu num fórum de Harry Potter há bastante tempo e li muitas fics dela. Então está sendo um grande prazer tê-la hoje aqui no blog. Principalmente porque tive a imensa oportunidade e honra de ler uma das primerias versões dos capítulos iniciais e pitacar naquele momento, e agora este sonho está prestes a se tornar realidade!!!

por Adriano Duarte

Símbolo da Casa Palmer, por Adriano Duarte

Muitos de vocês já sabem, eu sou uma grande fã de todas as minhas amigas escritoras, principalmente aquelas que tive o grande prazer de acompanhar desde as fics até a escrita de seus originais. Como sonho em realizar esse grande feito um dia também, a realização delas é como se fosse também minha, como se fosse uma prova de que há como concretizar este sonho que nutro desde jovenzinha. A conquista delas é uma grande dose de esperança para mim.

Por isso, com muita felicidade e orgulho apresento vocês à minha querida amiga e escritora Simone Lore!!

Mini biografia: Sempre ouviu que tinha o dom de “verbalizar as coisas”, e percebeu que quando verbalizava conseguia provocar algum sentimento nas pessoas. Viciou-se nos sentimentos humanos, decidindo que queria viver disso: de fazer as pessoas sentirem.

Como vocês devem estar se perguntando sobre o livro e seu conteúdo, pedi para ela uma sinopse curtinha que fale um pouquinho do livro, vocês podem conferir aqui a baixo antes da entrevista:

Sinopse de “Casa Palmer – Licópolis”: Num futuro onde ter poder significa guardar segredos, às vezes é necessário se mostrar receptivo para manter sua posição na sociedade. No pior momento possível, a Casa com mais segredos guardados abriu suas portas para os poderosos. Entre eles estavam seus inimigos, e uma sombra antiga paira sobre a Casa Palmer. Seu Mestre necessita provar que é capaz de proteger os seus domínios e manter o status quo.

Então vamos lá para a entrevista! São 10 perguntinhas feitas com muito amor e carinho! ❤

Entrevista com Simore Lore, autora de Casa Palmer – Licópolis

1) Quando e como você começou a escrever?

Minhas primeiras experiências com a escrita foram na adolescência, quando estudava literatura e tinha que escrever redações que, diferentemente de meus colegas, eu adorava fazer. Após o ensino médio vieram os blogs. Nunca consegui manter um blog ativo por muito tempo, mas era um exercício delicioso. Em 2005, após conhecer o fandom de Harry Potter e mergulhar de cabeça nele, comecei a escrever fanfictions. Foi a partir daí que peguei gosto pela escrita de ficção, e passei a me dedicar a criar personagens.

2) Casa Palmer – Licópolis é teu primeiro original?

Não exatamente. Escrevi Licópolis com minha amiga-irmã Lud Mills, mas, antes dele, escrevi um texto no mesmo universo, que se passa muitos anos depois do que está retratado em Licópolis. Ou seja, comecei escrevendo de trás pra frente! Porém, esse texto inicial não foi finalizado, porque eu precisava ter em mente o que aconteceria antes, tenho essa necessidade de ter uma cronologia definida para poder escrever. Então, escrevi dois grandes rascunhos: um que mostra partes do que aconteceu antes de Licópolis, que escrevi com Lud e Mah; e outro, do pós-Licópolis, que foi o que escrevi primeiro. Entretanto, Licópolis foi o primeiro que finalizei.

O livro é uma distopia ambientada num futuro onde a humanidade é controlada por uma organização chamada Hemenu, composta por oito Mestres que dividem o domínio do planeta. Em Licópolis, que será lançado dia 8 de Dezembro, é apresentada a Casa Palmer a menor de todas e uma das mais jovens e as interações conflituosas que existem entre ela e as outras. O livro é tecido sobre o fio frágil que sustenta a posição de Andrew e as manobras que necessitam ser feitas para que ele mantenha sua posição.

3) Como os personagens foram surgindo para você? E o plot?

Boa parte dos personagens de Licópolis surgiram num RPG de internet. Lud jogava esse RPG comigo e mais outros amigos queridos. Quando a empolgação pelo RPG foi morrendo, eu e Lud percebemos que nós tínhamos nos apegado muito aos personagens, e não queríamos que eles desaparecessem. Foi então que a convidei para escrever Licópolis comigo, e trazer os personagens dela – inicialmente Aquila. Há dois outros personagens do livro, Pietro e Andrew, não são criações minha ou de Lud. Eles eram personagens de dois amigos nossos, Evan e Mah, que jogavam RPG conosco. Eu sou completamente apaixonada por esses dois personagens, e perguntei a eles se poderia usá-los. Eles autorizaram, felizmente. Além dos personagens do RPG, que nasceram em outro universo, todos os outros foram surgindo dentro do universo de Licópolis de forma natural.

O plot surgiu há alguns anos atrás, por volta de 2006. Assim que tive a ideia, anotei e esbocei algumas regras do mundo, alguns personagens e suas posições na sociedade – sou bastante detalhista, não sei até que ponto isso é bom ou me faz perder tempo. Essa ideia inicial foi a do futuro após Licópolis, do primeiro rascunho que escrevi. Criei as oito Casas,

desenho de Julian Duarte e cores Simore Lore

Desenho por Julian Duarte, cores por Simore Lore

baseada na Hemenu, o grupo de oito deuses fundamentais adorados no Egito Antigo. Fiz as gêneses desses personagens, e comecei a escrever, até que pausei porque necessitava definir o que vinha antes.

Nesse meio tempo de definição do que vinha antes, foi quando me envolvi no RPG. Quando decidi voltar ao livro, já com Lud ao meu lado, sabia exatamente o que queria fazer.

4) Quais são/foram tuas maiores inspirações?

Eu costumo me inspirar nas coisas mais aleatórias possíveis. No caso de Licópolis, me inspirei nas distopias dos grandes autores do gênero, na Ogdóade (Hemenu) da mitologia egípcia antiga, no esoterismo, na Instrumentalização Humana e nos livros de fantasia. Uma grande inspiração sempre presente é a música. Costumo fazer authormixes – essa palavra existe?, porque música me inspira bastante e ligo músicas a personagens muito facilmente.

Outra coisa que me inspira são meus debates existenciais internos. Um desses grandes debates era focado no envelhecimento do ser humano. Gosto de pensar no desenvolvimento das pessoas com o passar dos anos, em como o amadurecimento não é algo que acontece com todos, e como muitas pessoas costumam ser mais do mesmo quando atingem uma idade avançada. Isso me inspirou também. Como falei, sou bastante aleatória!

5) O que foi mais difícil durante a escrita?

Eu sou bastante preocupada com continuísmo – muito mesmo! Eu preciso que as coisas tenham uma ordem cronológica o mais acertada possível. Quando me vi no quinto capítulo, e perdida na quantidade de coisas que aconteciam, comecei a fazer uma timeline com data, dia da semana e tudo que acontecia. Foi um trabalho extra que ajudou bastante no continuísmo. Porém, por mais que tivesse a timeline, colocar tudo em ordem deu bastante trabalho. Até porque quando fazemos as revisões começamos a mexer na ordem das coisas, e cada movimento pode interferir em dezenas de acontecimentos. Isso foi o que mais deu trabalho.

6) Conta um pouquinho sobre quais sensações você experimentou quando terminou de escrever?

Foram sensações agridoces. Fiquei muito feliz e realizada pessoalmente por termos chegado até o final. Lud é tão responsável por isso quanto eu, porque sem ela eu não teria chegado nem a um terço do que fizemos. Entretanto, como decidimos que lançaríamos o livro de forma independente, pensei no trabalho burocrático que teríamos a partir dali. São vários detalhes, como registro, ISBN, revisão, ficha catalográfica, capa, divulgação… Uma série de coisas que a gente teve que fazer sem o apoio de uma editora. Felizmente contamos com o apoio de amigos queridos que estiveram conosco desde o começo. Para ser sincera, estou mais feliz agora, que boa parte da burocracia acabou, do que quando terminei de escrever.

7) O que mais te marcou nessa empreitada?

Duas coisas me marcaram igualmente. A primeira, foi como o livro ganhou vida à medida que fomos escrevendo. Quando eu falo sobre ganhar vida, quero dizer que, a partir de determinado ponto, ele que guiou a si mesmo. Nós escrevemos, mas percebemos que o livro tem uma espécie de vontade própria, um espírito, que vai dizendo a direção que ele deve tomar. Há um plot e um objetivo, mas a forma com que a gente chegou lá foi como se o livro se guiasse e se concretizasse através das nossas mãos. Não me entenda mal, não é como se uma inspiração viesse dos céus e você soubesse exatamente como e o que escrever, e junto com essa inspiração viesse a vontade escrever loucamente. Escrever dá trabalho e exige muita dedicação. Quando você tem a inspiração, fica sob sua responsabilidade como você vai ligar os pontos. Só que no meu caso, no meio desse trabalho, as coisas começaram a acontecer naturalmente, e as inspirações foram surgindo em momentos tão inusitados, que, para mim, parecia que o livro queria realmente ser escrito.

A outra coisa que me marcou muito, foi como as pessoas que leram reagiram de formas completamente diferentes em relação aos personagens. Eu acho tão encantador como as pessoas enxergam a narração de formas diferentes, como um personagem pode ser amado por uma pessoa e extremamente odiado por outra… As paixões dos leitores, tanto para o amor quanto para o ódio, são muito marcantes para mim. Como falei antes, sou viciada no sentimento das pessoas, e sempre me surpreendo com como cada ser humano é um universo em suas interpretações.

8) Vai ter continuação?

Na verdade já tem. Quando estávamos em meados da escrita de Licópolis, definimos onde queríamos que ele terminasse. O que não esperávamos era que, para chegar lá, escreveríamos 350 páginas! Essa foi uma das consequências do que falei sobre o livro guiar a si mesmo. Então, acabamos precisando dividir o livro em dois volumes. O primeiro é Licópolis, e segundo é Bicéfalo. Ambos estão prontos e com suas versões em inglês. Para Bicéfalo ainda necessitamos resolver alguns detalhes burocráticos, mas o livro em si está finalizado. A previsão de lançamento de Bicéfalo é março de 2016.

9) Onde a gente pode seguir você e o livro?

Tem a fanpage do livro no Facebook, no link https://www.facebook.com/houseofnous/, e o meu tumblr é http://smnlore.tumblr.com/. Quem tiver curiosidade sobre o livro pode acompanhar as novidades por qualquer um desses meios. Além das novidades, eu vou postar algumas ilustrações que foram feitas de personagens do livro, e aleatoriedades – como alguns de meus authormixes, provavelmente.

10) O beijo da Xuxa vai para quem? 😛

Pra minha mãe, pro meu pai e pra você! Hahahahaah Melhor pergunta!

por Simone Lore

Ilustração por Simone Lore

Agora sério. O meu beijo vai, em primeiro lugar, para Lud, minha companheira de escrita e segunda mãe do livro. Depois para Mah e Evan, por eles terem deixado que eu pegasse Andrew e Pietro para criar, e por nos acompanharem desde o começo, sempre incentivando. Para Eti, Jo e você, Tai, pela ajuda que vocês me deram. Para a Jana, que fez a versão em inglês – e surtou comigo no processo. Para Adriano e Julian que fizeram ilustrações. E para todos os meus amigos que leram o livro e me deram suas opiniões. Cada uma delas me ajudou muito, e tenho imensa gratidão por todos vocês.

E você, Tai, ganha outro beijo pela oportunidade que está me dando de divulgar meu livro nesse blog que amo e acompanho. ❤

~*~

Tem como não adorar essa flor? Eu já estou seguindo as páginas dela para acompanhar o lançamento do livro e comprar o meu assim que sair. Espero que vocês tenham curtido! Meus parabéns imensos para a Simone Lore por todo o hard work durante essa super produção. To aqui desejando muitos leitores, muito sucesso, muitas fics de Casa Palmer – Licópolis, e muitos mais livros para eu colocar aqui na prateleira, mesmo que seja na pratelera de e-books! 😉  Fiquem ligados! ❤

As melhores inspirações!

Tai.

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