São tempos difíceis para os sonhadores.*

Imagem tirada do facebook do Elephant Book

Imagem tirada do facebook do Elephant Book

“Escreva algo que valha a pena ler ou faça algo que valha a pena escrever”

~Benjamin Franklin~

Tropecei nesta imagem no Elephant Book, uma dessas páginas de Facebook que são extremamente motivacionais e bonitas de seguir. Mas a frase continuou comigo ao longo dos últimos dias.

A questão que me veio foi a seguinte: o que vale a pena?

Eu sou uma pessoa um pouco chata, e eu espero muito das pessoas. Eu acredito piamente que nós viemos ao mundo para aportar algo, plantar uma semente, devolver ao universo qualquer coisa que podamos.

Tendo a soar pedante algumas vezes, com minhas ideias de projeto de vida e de “o que viemos fazer no mundo”. Isso tudo tem tanto a ver com as coisas que pretendo escrever em meus originais, que não sei mais quando foi que uma coisa se enraizou na outra deste modo.

Antigamente, quando eu era mais nova e escrevia pelo simples ato de escrever, pelo fato de escrever bem ou escrever bonito, eu não pensava no que significava escrever. Eu não parava para pensar se aquilo tinha um significado ou se era apenas um monte de palavras juntas que soavam bem, que criavam cenários interessantes ou que faziam as pessoas sentirem algo.

Mas com o tempo eu percebi que eu escrevia por escrever. O típico “arte pela arte”. Que já era bom, mas para mim deixou de ser suficiente.

Eu escrevia dramas bem e adorava ver os feedbacks dos leitores sobre quanto eles choraram lendo; ou as cenas mais picantes (que eu tbm escrevo bastante bem) e me traziam milhares de novos leitores e comentários e pessoas contentíssimas com aquilo.

Tudo isso se perdeu em algum momento. Eu já não escrevo por escrever. Eu acredito que existe uma espécie de responsabilidade em tudo aquilo que transmitimos, e a escrita para mim não passa disso: uma mensagem.

Daí, vira e mexe, eu me pego me perguntando: O que eu quero transmitir para o mundo e qual mensagem estou transmitindo?

Essas dúvidas foram nascendo, se instalando e aos poucos eu fui mudando minha escrita, minhas estórias, meus conteúdos…

“Escreva algo que valha a pena ler.”

Os últimos dois contos que trabalhei, e que farão parte dos concursos que tenho me informado, são textos com um cunho forte de crítica social. Os contos têm me mostrado essa vertente, essa facilidade: é mais fácil fazer crítica social em pequenas doses, do que escrever uma trama inteira de crítica social e inclusão.

É dessa maneira que eu começo a sentir e perceber melhor meus gêneros na escrita. É meu jeito de plantar as sementinhas.

Tem algo que me persegue há algum tempo: drama familiar. Eu tenho diversos enredos de drama familiar, com famílias e histórias complicadas, com retratos de seres humanos densos e palpáveis. Pequenas polaroides de uma variedade sem fim de relacionamentos interpessoais que deram errado ou que deram certo, ou que ainda não deram em nada para os personagens.

Para mim, como futura psicóloga, como pesquisadora de temas difíceis demais de lidar, como abuso sexual e tráfico de pessoas, me parece urgente falar dessas relações interpessoais e sociais, de denunciar a partir da minha escrita diversos temas. De trabalhar a família em todas suas nuances e variedades maravilhosas.

Mas, às vezes, eu sinto que escrever não me basta.

“Faça algo que valha a pena escrever.”

Acho que essa sensação de escrever não ser o bastante, tem muito a ver com a minha personalidade.

Esse meu coração ativista acaba sempre pedindo por mais, pedindo ações, pedindo movimento e mobilização.

Como eu disse no primeiro post do blog, eu também quero ser uma boa psicóloga e uma boa ativista dos direitos humanos. Para isso eu trabalho muito para alcançar alguns sonhos e realizar muitas atividades de conscientização.

Acho que, dentro de mim, existe um labirinto cheio de sonhos e ideias que eu adoraria concretizar, mas que estão distantes umas das outras. Ao mesmo tempo em que seria incrível poder escrever histórias e abrir corações e plantar sementes, seria ainda melhor poder iniciar e incentivar projetos transformadores, que denunciassem realidades pouco visibilizadas, como o tráfico de pessoas ou a realidade transexual.

Muitas vezes essa minha necessidade de transmitir mensagens consistentes, me ata em meus enredos, dificulta que minha criatividade se amplie e toque temas que talvez não tenham boas mensagens a serem transmitidas (como serial killers, investigação criminal, plots depressivos, hots, fantasias surrealistas). Parece que eu preciso também aprender a me dar o direito de escrever por escrever, por botar no papel essa ideia que nada mais é do que um monte de sentimentos e imagens interessantes, sem “moral da história”, sem propostas de mundo melhor, apenas vislumbres de realidades absurdas, doloridas, e becos sem saída.

Eu me sinto um caleidoscópio, cheio de inúmeras repartições, que brilham cada uma em seu espaço. Estrelas em cada um de seus diferentes e complexos sistemas solares, que nem sempre podem andar juntas.

E acabo me questionando se eu vou realmente conseguir levar tudo de eito, ou se vou precisar abrir mão de um dos meus sonhos, ou deixar alguns deles em stand by por tempo indeterminado.

Por isso, por enquanto, existe minha militância, minhas ações e pesquisas de conscientização, mas também existe este blog, minha fanfic de longa duração e meus pequenos experimentos de contos e criação de novos enredos, que ainda não sei quando sairão da minha cabeça e aterrissarão no papel.

Mas eu também quero realizar coisas que valham a pena escrever. Faz meu coração bater mais forte, essa ideia de que cada coração é uma célula revolucionária!**

Filme: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

Filme: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

Como uma parcela de amigos meus, eu sou uma grande sonhadora, e muitas vezes, existem sonhos demais para uma só cabecinha. A frase de Benjamin Franklin mexeu muito comigo, me gerou reflexão e dúvidas. Tocou nos meus brios. Me fez sentar e escrever esse texto meio sem foco ou sentido de uma vez só.

Acho que, em partes, este texto é um desabafo de todas as minhas expectativas sobre mim mesma. A verdade é que eu também espero muito de mim. Às vezes, parecem ser tantos sonhos juntos e tantas expectativas que eu transbordo em palavras.

Esses engajamentos geram contos, que geram ativismo, que geram mais enredos, que geram reflexões, que geram textos novos para o blog, que geram ainda mais questionamentos e o apoio incrível de todos que investem seu tempo lendo e comentando aqui. Muita gratidão à vocês, sempre.

Eu quero fazer tantas coisas que me sinto ansiosa. Daí eu escrevo para botar para fora e me lembrar de que a vida é longa, me esforço a pensar que ainda há tempo. Mas não podemos nos esquecer que por enquanto é tempo de morangos.***

As melhores inspirações!

Tai.

*Título tirado do filme: “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” (assistam!!)

**Frase tirada do filme: “Edukators” (assistam!! [2])

***Frase tirada do livro A Hora da Estrela, da Clarice Lispector (pra quem não leu ainda, aí vai uma recomendação importantíssima).

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2 pensamentos sobre “São tempos difíceis para os sonhadores.*

  1. Tainara, fiquei encantada com tantas reflexões, vc é tão intensa minha filha, que seus sentimentos, ideias, palavras, transbordam por esta página e me atingem direto no coração, é fascinante isso…me envolvem tão profundamente e por todos os lados, que parece mesmo que estou olhando atentamente um caleidoscópio com todas suas formas e cores e tudo ao mesmo tempo…cor e movimento E fico eu… aqui… admirando, admirando, admirando suas palavras, sua criatividade, sua docilidade… com esta saudade no peito… Parabéns querida!!! Te Amo!

    Rita

    Curtido por 1 pessoa

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