Escrevendo Contos para Concursos (1)

Ou, o dia em que furei a bolha do medo ao fracasso

Há certo tempo, meu marido me contou que um amigo dele tinha publicado alguns livros lá na Espanha, e que tinha dado a seguinte dica: “participe de Concursos Literários”.  998947_353938298074211_634126704_n

Os concursos têm essa grande capacidade de gerar visibilidade de trabalhos e obras dentro do mundo literário. É a porta de entrada para muitos autores. É a maneira como uma editora fica sabendo do seu trabalho, ou um jeito de ter uma propaganda ainda mais interessante sobre teu produto, já que você pode utilizar isso para garantir a qualidade da sua escrita.

Desde fim de abril eu comecei a olhar sites que informam sobre concursos. O que eu achei mais interessante é o Concursos Literários. O blog é bem organizado e traz os concursos do ano, podendo ver a cada mês quais concursos estão rolando.

Bem, comecei a olhar, entender melhor como os concursos funcionam, aprender que existem diferentes tipos de concursos e diferentes tipos de premiações (desde premiação por $, até publicação em alguma antologia, também podendo ganhar presentes – como Ipad etc).

Decidi participar do Concurso Literário Prêmio Cataratas de Contos e Poesias – um concurso aqui de Foz do Iguaçu mesmo, com boa visibilidade, organizado pela Fundação Cultural.

Depois de conhecer um pouco mais do concurso, com tema livre, selecionei a categoria que me identificava mais: contos. Embora eu adore ler poesia, eu não sei escrever poesia, então sem chances.

Tendo minha meta “CONTOS” estipulada, eu caí na real.

Eu não escrevo contos!

A maioria das coisas que eu escrevo tem milhares de páginas!

3422665107_f80161c7fbE AGORA?

Aí eu tive que me concentrar.

Quando eu estava no 1º colegial, lá em 2005 (há dez anos atrás), eu escrevi um conto para um trabalho de Língua Portuguesa e tirei A. Mas isso faz tanto tempo que não consigo nem me lembrar bem qual foi o processo até conseguir escrevê-lo.

Eu precisava pelo menos refrescar a memória para começar a escrever algo!

Então começou a trabalheira.

Selecionei alguns livros de contos que eu tinha em casa, e dei uma olhada rápida em alguns dos contos. Meus livros favoritos de contos são os do Caio Fernando Abreu, mas infelizmente eu não tenho eles em casa, então a melhor chance foi recorrer à internet para relê-los.

Como a princípio eu não fazia a mínima ideia do que escrever, eu fui bastante abrangente e li alguns contos para poder ir me identificando e ajustando à ideia de escrever poucas páginas. (REALMENTE poucas páginas: 6 páginas em Arial 12, imaginem meu sofrimento).

O que eu li?

Visita, de Caio Fernando Abreu (em Melhores Contos)SAM_1070
A Contadora de Histórias, da Samanta Holtz (em Crisálida)
Feliz Aniversário, da Clarice Lispector (em Laços de Família)
UFO in Kushiro, de Haruki Murakami (em After the Quake)
Landscape with Flatiron, de Haruki Murakami (idem)
La Novia de King Kong, de David Mena (li vários contos)

E daí eu comecei a me desesperar. Pois a maioria dos contos era muito maior do que eu podia escrever para o Concurso.

Tai, mas pra quê tu foi ler esses contos e se desesperar?

Muito simples gente, eu precisava me sentir pelo menos um pouco familiarizada com esse gênero literário. Uma vez que você começa a se sentir, pelo menos, identificada com aquilo, você consegue visualizar aquele formato e começa a criar dentro dele.

No meu caso, foi assim: quando eu consegui fixar o formato na cabeça, a criatividade dentro desse formato passou a ser um bocado mais fácil. Acontece que meu processo criativo é um pouco chato.

meu processo criativo

meu processo criativo

Eu não consigo escrever algo por escrever, não, eu escrevo coisas que acho que têm um motivo, que transmitem algo, que conscientizam, que fazem sentido. Há muitos anos já a arte pela arte deixou de ser algo que eu gostava e passou a ser algo que me irritava profundamente – embora possa ser bonita e envolvente.

Então, pro conto sair, eu tive que pensar no que precisa ser dito para nosso mundo, para essa realidade social atual. É assim que os enredos nascem para mim: da necessidade de visibilidade.

A escrita para mim é uma luta contínua contra o apagamento de diversas realidades. E foi assim que nasceu meu primeiro conto para concursos! Aos trancos e barrancos, escrevi ele em um dia e pedi pra uma das minhas melhores amigas fazer uma revisão. (Dessa, te amo minha musa! ❤ )

Assumo: o texto não está 100%. 6 páginas para mim é muito pouco e eu acho que deixei de aprofundar em vários momentos em detrimento do tamanho do texto. Não fiquei satisfeita com meu conto, não fiquei feliz com o modo que o desenvolvi, assim afobado. Gostaria de escrever mais umas 4 páginas pelo menos. Mas foi o que deu.

E eu fiquei feliz. MUITO feliz.

Mas se tu tá dizendo que o conto nem estava tão bom, por que ficou feliz?

a cara da felicidade ;)

a cara da felicidade 😉

Simples. Eu pesquisei os concursos, decidi participar de um deles, pesquisei um pouco, escrevi, enviei. Gente, fechei um ciclo (o primeiro de muitos, espero)!

Quando me proponho a fazer algo ligado à escrita, muitas vezes desisto. Um dos motivos é o medo de fracassar (como falei no outro post). MAS, mesmo não achando que o conto vá conseguir algo neste primeiro concurso, eu consegui furar esta bolha imensa de insegurança e enviar.

Eu me expus, como autora, à uma banca de literatura, e eu não estou dando a mínima para a opinião deles: meu dever foi cumprido, agora que eu perdi o medo vou me dedicar mais aos contos e também aos concursos, para aprender bastante.

Então, depois de enviar meu conto eu estava tão contente que fui lá e fiz um vídeo! Vocês podem conferir ele aqui abaixo! Sigam o meu novo Canal no Youtube também: O Mundo de Tainara

VÍDEO: CONTOS PARA CONCURSOS

Para quem ficou curioso sobre o escritor espanhol que me deu essa dica incrível sobre os concursos, podem checar neste link um pouco mais sobre David Mena.

Espero que tenham gostado do post! Os incentivo a correrem atrás dos sonhos, mesmo quando é um pouco assustador, e a furarem muitas bolhas!

As melhores inspirações!

Tai.

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4 pensamentos sobre “Escrevendo Contos para Concursos (1)

  1. Se ler o que tu escreves já é uma delícia, imagina te ver e ouvir?
    Começo esse comentário (depois de babar ovo) te parabenizando por essa iniciativa linda de formar um site sobre um dos tópicos mais recorrentes nas nossas conversas: a difícil tarefa de ser escritor.
    A gente abre o peito, tece as palavras no papel e aguarda os olhares em cima do que a gente criou – do que rebentou do peito, sangrou e chorou, aquela partezinha da gente que compartilhamos com o mundo – e muitas vezes o que vem é a flechada.
    É difícil mesmo, dói e machuca, mas quão prazerosa é a sensação de ver aquele rebento tomar forma, virar páginas e páginas e encher o peito de orgulho e carinho! É o nosso paraíso, não é?
    Por isso, de novo, te parabenizo pela tua iniciativa e espero que tu continues a compartilhar as tuas experiências e teus conhecimentos, porque, com certeza, tu vais ajudar muita gente que precisa de uma luz.
    Sair da nossa zona de conforto é essencial para avançarmos e concretizarmos os nossos sonhos. É bom nos depararmos com outros tipos textuais, explorar novos pontos de vista da narração, vislumbrar um novo olhar sobre o que já foi criado. Acho que o amigo do Jose tem toda a razão no que ele colocou sobre participar de concursos, mostrar aos outros o nosso trabalho, submeter a avaliações, esperar resultados, colher novas perspectivas – – eu sei que dói, mas se a gente protege demais as crias elas ficam mimadas e com medo do mundo. Vamos abrir caminhos ao invés de nos fecharmos.
    E VAMOS LÁ VER O QUE ESSE CONCURSO VAI TRAZER!
    Um beijo enorme, amada! Amo tu.

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    • Ai, amada, você sabe como tem sido pra mim um desses pilares insubstituíveis no desafio da escrita. Nesse desenvolver sem fim dos rebentinhos que nascem com tanto cuidado, carinho e dor. Muito obrigada pelo apoio contínuo, pela força, pela segurança, pelo amor. Nossa amizade é dessas jóias raríssimas que eu quero levar pras próximas vidas!
      Muito obrigada por toda a ajuda, e que venham mais continhos pra gente, tanto os meus quanto os teus! ❤ E que abramos muitas portas desafiadoras, e entremos sem medo!
      te amo, dessa! beijocas!!! :*

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  2. Querida Tainara,
    Que lindo ver o meu A Contadora de Histórias mencionado aqui em seu post! ❤ É verdade, concursos literários são bem rigorosos em relação a número de páginas e/ou palavras, caracteres etc. e nem sempre é fácil seguir à risca, especialmente quando divergem do que estamos acostumados a criar.
    Parabéns por sair da zona de conforto e estourar a bolha do medo do fracasso 🙂 É uma etapa importantíssima para todos!

    O post está lindo!

    Beijos
    Sam

    Curtido por 1 pessoa

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